Durante a quarentena por conta do novo coronavirus, a violência doméstica aumentou até 50% em alguns estados brasileiros, por isso  Instituto Maria da Penha (IMP) fez uma campanha para alertar sobre a violência doméstica.

No vídeo da campanha, uma reunião matinal da empresa via chamada de vídeo é interrompida após uma das funcionárias, Carla, confidenciar para a colega de trabalho Mariana que foi agredida fisicamente pelo companheiro. Dez minutos após pedir socorro de Mariana, Carla recebe uma ligação e avisa ao companheiro a chegada de uma encomenda para ele. É nesse momento que Mariana aproveita e grita: “Tranca, tranca! Amiga, já tranca, não perde tempo! Tranca tudo! A polícia chegou?”. Veja o vídeo completo no final da matéria.

A realidade de Carla é a mesma de diversas mulheres no Brasil e no mundo que se viram confinadas com seus agressores como medida de prevenção contra a Covid-19.

De acordo com dados da Defensoria Pública do Estado do Ceará, por exemplo, cerca de 90% dos casos de violência contra a mulher atendidos pelo órgão aconteceram na casa da vítima durante o período de isolamento social.

Vítimas e testemunhas podem denunciar casos de violência doméstica no número 180. Em casos de emergência, como quando a agressão está acontecendo, ligue 190. Após intervenção, os agentes de segurança irão orientar vítimas e testemunhas sobre os próximos passos de denúncia.

O que é a violência doméstica?

De acordo com o art. 5º da Lei Maria da Penha, violência doméstica e familiar contra a mulher é “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”.

Quais são os tipos de violência?

Violência física: espancamento, atirar objetos, sacudir e apertar os braços, estrangulamento ou sufocamento, lesões com objetos cortantes ou perfurantes, ferimentos causados por queimaduras ou armas de fogo, tortura

Violência psicológica: ameaças, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento (proibir de estudar e viajar ou de falar com amigos e parentes), vigilância constante, perseguição contumaz, insultos, chantagem, exploração, limitação do direito de ir e vir, ridicularização, tirar a liberdade de crença, distorcer e omitir fatos para deixar a mulher em dúvida sobre a sua memória e sanidade (gaslighting)

Violência sexual: estupro, obrigar a mulher a fazer atos sexuais que causam desconforto ou repulsa, impedir o uso de métodos contraceptivos ou forçar a mulher a abortar, forçar matrimônio, gravidez ou prostituição por meio de coação, chantagem, suborno ou manipulação, limitar ou anular o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher

Violência patrimonial: controlar o dinheiro, deixar de pagar pensão alimentícia, destruição de documentos pessoais, furto, extorsão ou dano, estelionato, privar de bens, valores ou recursos econômicos, causar danos propositais a objetos da mulher ou dos quais ela goste

Violência moral: acusar a mulher de traição, emitir juízos morais sobre a conduta, fazer críticas mentirosas, expor a vida íntima, rebaixar a mulher por meio de xingamentos que incidem sobre a sua índole, desvalorizar a vítima pelo seu modo de se vestir

Fonte: Instituto Maria da Penha (IMP)