Com escolas fechadas, aulas suspensas, alunos em casa e todo um cronograma programático pausado, a educação é um dos setores mais impactados pela disseminação do novo coronavírus (Covid-19). Diante da perspectiva de que a situação fosse demorar para ser normalizada, algumas alternativas para que o ano letivo não fosse perdido foram implementadas, como a impressão dos conteúdos e o uso de aplicativos e plataformas online.

No final de março, uma pesquisa realizada pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB), em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e a Fundação Lemann, comprovou que 84% dos gestores das secretarias municipais tinham definido as normas e diretrizes da suspensão de aulas, mas 63% não havia definido a estratégia para que os alunos continuassem o aprendizado em casa.

Dos locais que adotaram, os meios online foram os mais aderidos. Entre as medidas estão: envio de materiais digitais de estudo, explicações dos professores via videoconferência, em texto ou em formato de vídeo-aula gravada pelo docente e enviada aos alunos.

Mesmo com a autorização do Ministério da Educação (MEC) de manter as aulas online neste período – aprovado na Portaria nº 343 e válido até que a pandemia acabe –, a minoria das secretarias – 7,7% das municipais e 20% das estaduais – está usando essas atividades de forma a cumprir o calendário escolar. Nas demais, esses meios são feitos apenas de modo a não deixar os estudantes sem amparo durante os meses em que a quarentena for necessária.

Sendo assim, a adesão dos alunos é facultativa na maioria dos pontos de ensino, já que 85% dos respondentes ainda não tinham meios de controle de presença e de avaliações de aprendizagem.

Além disso, o MEC também cancelou parte dos orçamentos destinados às instituições de ensino. O impacto mais significativo aconteceu na educação básica, em que R$ 718 milhões foram coletados e realocados para ações de combate ao vírus.

Impasses

Essas alternativas, no entanto, esbarram na desigualdade social existente no país. Um levantamento realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), em 2019, comprovou que em 58% das residências do Brasil não há computadores e que em 33% não existe acesso à internet, principalmente em áreas periféricas e rurais do país.

“Não é uma situação estruturada: faltam equipamentos, não há acesso à internet, as pessoas não dominam as tecnologias digitais. O EAD pressupõe que todos estejam conectados e integrados”, explica Mauricio Canuto, professor de didática no Instituto Singularidades (SP).

Universidades

A Portaria nº 343 também contempla as universidades públicas e privadas do país. De acordo com o texto publicado, “será de responsabilidade das instituições a definição das disciplinas que poderão ser substituídas, a disponibilização de ferramentas aos alunos que permitam o acompanhamento dos conteúdos ofertados, bem como a realização de avaliações durante o período da autorização”.

Como em alguns locais o ensino a distância já era implantado, há formas de apenas seguir os métodos que já utilizam para a realização de cursos como pedagogia EAD, por exemplo.